Se geres uma operação logística, sabes que o picking é, frequentemente, a atividade que consome mais recursos e tempo. Entre as várias metodologias disponíveis, o Wave Picking (ou Picking por Onda) destaca-se como uma das soluções mais eficazes para organizar o fluxo de trabalho de forma preditiva.
Mas o que é exatamente e como podes saber se é a escolha certa para a tua realidade? Vamos analisar esta metodologia ao detalhe.
O que é o Wave Picking?
O Wave Picking é uma metodologia de organização de pedidos que agrupa as ordens de saída em blocos lógicos, denominados "vagas" ou "ondas". Ao contrário do picking tradicional, onde as ordens são processadas à medida que chegam, aqui o trabalho é libertado em intervalos planeados ao longo do dia.
O processo segue geralmente estes passos:
- Agregação: Os pedidos são agrupados com base em critérios logísticos específicos (ex: rota de transporte, transportadora ou zona do armazém);
- Atribuição: Cada vaga é atribuída a um operador que percorre uma rota otimizada para recolher todos os itens desse grupo;
- Finalização: Os artigos são levados para uma zona de consolidação (Packing Zone) para serem separados por pedido e, finalmente, encaminhados para a Loading Zone.
Critérios de Agregação
Podes criar "vagas" baseando-te no horário de saída do camião, no número de linhas por pedido, na prioridade do cliente ou na tipologia do produto. Esta organização permite que a equipa atinja objetivos específicos em cada turno, em vez de apenas "esperar que o trabalho flua".
Como utilizar o método de Wave Picking?
O Wave Picking combina princípios do Batch Picking (recolha em lote) e do Zone Picking (picking por zonas). É extremamente eficiente quando tens muitos pedidos que partilham os mesmos SKUs.
Em vez de o operador ir dez vezes ao mesmo local para satisfazer dez pedidos diferentes, ele vai apenas uma vez e recolhe a quantidade total necessária para todos eles. Posteriormente, essas quantidades são segregadas para cada cliente, seja no momento da recolha (usando carrinhos multi-tote) ou na bancada de embalamento.
A importância do WMS no Wave Picking
Operar com Wave Picking sem um sistema de gestão de armazém (WMS) é quase impossível. O software precisa de realizar uma análise de dados complexa para:
- Calcular o tempo necessário para cada vaga (ex: blocos de 3 horas).
- Planear períodos de <a href="/pt/glossario/reposicao" class="text-secondary-orange hover:underline">reposição</a> (replenishment) entre as vagas para evitar ruturas.
- Garantir que os pedidos que chegam até às 10h00 são incluídos na vaga das 10h30, enquanto os restantes transitam para a próxima.
Regra de Ouro: Uma vez iniciada uma vaga, ela é "fechada". Não se adicionam nem removem pedidos até que a mesma termine. Esta é a grande diferença para o modelo Waveless Picking, onde o fluxo é contínuo e dinâmico.
Deves usar o Wave Picking no teu armazém?
Esta metodologia não é uma solução universal. Deves considerar o Wave Picking se:
- Tens um WMS implementado: A complexidade de agregar linhas e otimizar rotas exige automatização;
- Operas em modelo Homem-ao-Produto: Quando os operadores se deslocam até às localizações e os itens são de fácil acesso;
- Tens um elevado volume de SKUs leves: É ideal para produtos fáceis de manusear e transportar em lotes;
- Precisas de Sincronização com Transportadoras: Se tens horários de recolha rígidos, as vagas garantem que os pedidos estão prontos no cais exatamente quando o camião chega.
